11/08/2005 10:43
aqui está ela
a que matou Menina Lexotan
talvez para sempre.
Violeta Vita
http://fotolog.net/violetavita
enviada por charlye
09/08/2005 20:23
Violeta Vita
; foi assim que ela nasceu, de um ponto e vírgula.
mas nada, antes dessa fase litero-figurativa ela já havia nascido de sua mãe. como todas, aliás.
o caso é que a Violeta não lhe bastava ser parida. assim, simplesmente. ela devia ter que matar alguém para poder estar. não hesitou, o fez como tinha que fazer e nao escondeu o corpo.
Menina Lexotan degolaga no fundo da casa, um quintal já feio, àspero e sem raízes. um quintal que, com o tempo, absorveu o corpo da Menina e adubou-se por conta própria.
quintal que depois ficou verde. branco e negro também, mas só às vezes. o cume do quintal aconteceu, no entanto, quando adquiriu cor lilás numa noite amena de calor e brisa fresca.
lilás este que, quando em volúpia, passou a adquirir o mais belo Violeta.
nesses momentos ébrios, Vita - a outra, a que sabia - se argumentava sem pensar, quedava absorta em suas melenas púrpura e já para nada lhe serviam as palavras. nem aos outros, nem ao nada. palavras eram isso mesmo, apenas palavras.
não que algo fosse algo além de si mesmo. algo era apenas algo. o que acontecia era que dentro desse apenas sempre coube um mundo. um mundo de caixas de papel, de folhetos e revistas. mas um mundo também dorminhoco, que sonhava e se estabelecia sem pedir permisso, sem se abrir ao julgo.
entao, nisso tudo, as palavras podiam ser também um mundo, podiam ser joguetes, cançoes, medalhas de honra. contudo, quando o quintal se avioletava, naquela casa nao se podia hablar.
Vita nascia de contemplar. de estar muda. e de falar com Deus.
Violeta - pin up inveterada que nasceu pervertida e foi virando santa - nao mata mais ninguém, nao vê necessidade. aprendeu, no entanto, a viver como os homens.
Violeta & Vita, de certo modo, ainda estao nascendo, nascerão mais e mais, até que se saibam uma.
e seguem.
enviada por charlye
02/08/2005 20:48
.queria estar presente em todos os lugares. em todos os tempos, se possível. dentro do envelope, no dia certo, ser mais que uma imagem chapada numa fotografia.
queria ver se podia tocar o mundo. se deixava de fazer aniversário, mas sem sequer morrer. viver e nao ter datas pra comemorar, como o menino que usava bandanas na cabeça nos anos 80.
se ainda nao fosse pedir demais, seria bom, na verdade urgente, poder saber deles. de todos os iguais, dos outros nao queria nada.
saber deles a cada gole novo de vinho, sentir uma carícia apropriada quando encostasse a cabeça no travesseiro vazio e aproveitar a luz do sol mesmo quando ela se esconde. seria bom também a noite chegando quando se tem o amor para resolver dentro de si. mas um noite de lua, noite de luz.
os simbolismos um dia se esgotam, mas o que nao esgota sao os nós, pois sao sempre os mesmos e nao há signo que disso dê conta. a mesma coisa, o mesmo oco sendo dito como abismo, balde vazio, anjo caído...
o mesmo oco.
siempre.
o fato de nunca, nunca estar em nenhum lugar, de nenhum jeito.
enviada por charlye
22/07/2005 21:45
se eu tiver coragem eu me deixarei continuar perdida*
*clarice l.
quem desiste de viver, se joga do último andar com a cara ao vento e os braços soltos é covarde ou corajoso?
quem olha de longe para o mais belo do mundo e não é capaz de se mover em busca de proximidade alguma com esse seu objeto de desejo é covarde ou corajoso?
quem não pode deixar de lado o que lhe faz sofrer porque tem exatamente o que lhe faz sofrer como o que mais lhe faz feliz é covarde ou corajoso?
bem que tudo isso poderia vir escrito e ilustrado atrás dos maços de cigarros, aviso fatal do ministério da saúde. ou respondido num livro da clarice.
coragem
covardia
mata
.
?
enviada por charlye
17/07/2005 06:47
crianças entediadas costumam fazer perguntas bizarras
- você é uma azeitona?
adultos entediados fazem o que?
fumam cigarros?
mas em tempo, falemos de outras coisas
o lugar que me dá paz é feito de pedras, urbano. tem o calor do concreto e vidraças verdes, no chão gente passando. gente colorida, locomotora. realizam pequenos estrondos, melodia única. universo de jovens perdidos em busca de um pouco de diversão. abstraçoes quase absurdas, exibicionismo tímido.
o lugar que me dá paz quase não é um bom lugar, mas em nada parece tristonho. é bonito em suas linhas retas, sua ausência de curvas as quais, por sua vez, são grandes e intensas nas pessoas.
tem sol e é quente, não é simplório.
e a paz, a paz que eu tanto busco dentro de mim eu acabo encontrando um pouco fora, pois dentro vejo demasiado aturdido, um complexo cheio de fome, sedento por formas, retas e curvas.
alegro-me sobretudo vivendo de imagens, degustando com a língua dos olhos os retratos que mesma saco. os olhos belos, as faces expressionistas, os cheiros que exala o papel de tantas duas dimensoes. faço fotografias para viver, concluo, pois se não as fizesse estaria mais tonta, estúpida, descolorida.
e sorrío pelos objetos que consigo captar - inventar - para mim, mesmo que a mim nunca venham a pertencer. a eles os tenho em sonho, ilusão sumária de um mundo que parí. posso ter o que quiser. não com meu corpo, só com meus sentimentos, minhas emoçoes vagas, meu impressionismo vão. detenho a luxúria do que desejo e a guardo em caixas-fortes, porta-retratos abusados, aluguel do que extraño e me fascina, empréstimo sem duas vias, contrato inexistente.
nessa caixa preta de pandora e de ausência só há eu e o objeto guardado por mim, caras e bocas emprestadas por segundos, gloriosamente imortais.
até que meus dias tenham fim
ou o papel se degenere.
enviada por charlye
02/07/2005 22:36
jejeje, dissabor. porca miseria!
um nojento. foi assim que alguém viu o brian molko. eu não, eu não vi o brian molko. outro disse ser ele criatura fantástica, blasé e pequeno com seu cigarro. penso que fumar cigarro e não ser blasé é a perda de toda importancia de fumar um cigarro. melhor não matar o pulmão em vão. e mais. para esse nobre ego que vos conta a tal humilde conduta de nosso senhor brian, muito estetica lhe parece a tal pequena blanca y negra figura. o tal narrador, o qual não é um homem por impossibilidade, mas sequer uma mulher por alivio de conduta feminesca, em tempo lhe garante: queria ele ter um boneco vivo para ser exposto como o amado senhor molko. tipo modelo, compreende? já que não se tem nem juliete nem kiki de montparnasse. pero bueno, tem-se um absurdo italiano. e tem-se cabeças carecas y self portrait de cetim, rojo de sol nascente.
falar jarra, no entanto, tem sido mais difícil do que qualquer uma dessas coisas. pensar em brian e em man nunca é difícil, mesmo que seja tarde. e falar de amor na redenção já não é mais possível. chimarrão nas veias, corre pro mar. enfim, porque falar jarra requer inverter a dinamica fonética como nunca e praticamente estuprar o portugues para gozar em castellano. y gozar em castellano nunca é demais, pois se vive em tempos difíceis, de amargura e tranquilidade, de gente pedindo sorrisos e cubatas e de amores transversos, reversos. alegria transviada, já previa james dean. e eu não morro, tão cedo não, porque quase amanhã já é meu dia. o dia, apesar disso, sempre vem sem avisar. e nasce ao contrário, amanhece insone e dorme enquanto a noite não chega, o dia penado. isso porque o dia se absurda, se contrai em agonia para depois se desmanchar na fantasia. o dia capoeirento.
capivaras da manhã servem de dentes para depois das brincadeira. capy pra ti. dentes pra fora. lembrado está? éramos felizes? ah, não venha com recuerdos etílicos, amores perros de tequila ou sentados no xadrez. éramos jovens demais. ainda o somos? qualquer feiura se some nessas contas da memoria. hasta el olor de benzina nos sueña acqua di gio. e italiano a uma hora dessas? italiano para principiantes. italiano...
e supondo que você fosse o filho do príncipe charles, você se importaria de ser seguido pelas cameras? e sendo o charlie brown, sustentaria que charlie é nome de homem, muy raro a una chica? oh, a quantas duvidas existenciais está exposta essa cabeça ¿essa cabaça? ao longo dos tempos. e já vem ele, o dia fora do tempo, para que possamos celebrá-lo de maneira gregoriana. e sobre isso, nós do movimento el grupo defedemos que os kins poderiam constar exuberantes e grifados como importantes em todas as cédulas de identidade do mundo. e eu explico: el grupo nada mais é do que três pessoas unidas por interesses diversos e catapultas difusas voltadas ao interior do mundo. porém absolutamente pretenciosos. porque pretensão nada mais é do que ter qualquer coragem, mesmo que ainda mediocre, de ser e estar. os ursinhos carinhosos estão aqui pra ajudar, se precisar é só chamar.
e, contudo, nada disso transparece, nada é mais do que evidente. pero pode ser que seja turvo. e a lo mejor seja incrivel. exuberantes constataçães dumas mentes de luxuria. cannabisbaixos e abandonados seguem o rumo da grandeza, com a finitude por perto e nem tão longe da avareza.
acredite-me sim, tenha pena de mim, vá embora. ai, que saudades temos do emílio santiago.
enviada por charlye
30/06/2005 21:14
a fome? a fome é só um estado de falta de amor...
eu não sei pagar promessas. talvez por isso os anjos não me escutem mais. meu crédito no céu venceu - é o que as surpresas estranhas vêm me mostrar.
(poderei enfim fazer um pacto com o diabo à meia noite na frente do espelho?)
(não terei medo?)
eu, eu... eu queria tanto que...
não importa mais, eu querer não conta para nada. faltaram as velas que eu não acendi na bendita igreja de portas cerradas.
as portas nem sequer abertas para mim, como é que eu ia pagar as promessas? eu não sei, mas eu ainda espero um arrependimento dos deuses, uma última chance de agradar-me com o pedido desta noite.
esta noite.
se minha esperança vencer eu vou, eu abro as portas da igreja.nem que seja a chutes.
eu prometo.
enviada por charlye
26/06/2005 21:54
de acá para allá
(e não de aqui para aí)
(porque sou mais argentina que española)
. o ETA explodiu uma bomba em Madrid. periódicos noticiaram que não houve feridos graças à polícia, a qual evacuou a área antes de explodir o coche-bomba. mas eu me pergunto: como a polícia sabia da bomba? ETA havia avisado. conclusão: não houve feridos porque o ETA não quis.
. o presidente Zapatero e seus amigos aprovaram a lei do casamento homossexual em España. os bispos se pronunciaram contra, assim como o Vaticano. menos de um mês depois milhares de pessoas encheram as ruas de Madrid em uma marcha, segundo eles mesmos, "a favor da família", pedindo a anulação dos casamentos entre parejas do mesmo sexo. e eu aqui, bem sentada, lembrei-me daquela marcha "por deus e pela família", Brasil, há quantas décadas mesmo?
. é, Europa não é o que os desavisados pensam....
. França e Holanda votaram Não para a constituição européia. Dinamarca pensa em fazer o mesmo. todos os outros corinhos votaram sim. os periódicos dedicam, desde então, uma página por dia para hablar mal de França. "O orgulho francês". "Eles se acham diferente de nosotros". e da Holanda dizem que nos ultimos anos há mais êxodo para fora do que para dentro do país . o que será que dirao da Dinamarca? que é culpa do Lars Von Trier?
. inveja pouca e competição sob rótulo de amizade é coisa pouca aqui no velho continente.
. ainda. acá também há um programa chamado "Grande Hermano". pelas tardes há quem veja algo igual ao Leão Lobo. e o David Bekhan está todos os dias no setor de fofocas.
. falta do que fazer existe até onde o que não falta é algo para se fazer. impressionante.
. o espanhol "argentino" sim é que se pode chamar de Castellano. o da Cataluña é horrendo. o da Andaluzia é feio. o da Venezuela é caipira. os outros eu tenho medo de conhecer.
. ver um filme do Almodóvar sem legendas é bizarro. você atenta para a quantidade de gírias cafonas que se utiliza nos diálogos e fica triste pelo mito ter sido desfeito.
. fora essa merda toda há cosas otras. há muralhas da época romana em pleno bairro dos drogados. há feirinhas bem melhores que o Mix Bazaar. há All Star falsificados por 20 euros. há praia com gente sem roupa e sem pudor. há drogas variadíssimas e baratas (ou de graça se você fizer charminho). há gente que vê o outro lado, e ve bem. há arte, muita arte, demasiada arte (o que começa a perecer um tanto quanto "negócio" lá pelas tantas, mas...). e há bibicletinhas ligeiras, skatistas muy destros e gente que mora onde não se poderia morar. e há dreads, muitos e longos e loiros e morenos e sem fim. e há ternos, mas isso há também em, há....
. e portas. há portas onde quer que eu olhe, corredores que saem de mim e levam ao não sei, bilhetes com códigos indecifráveis de destino remoto, há a ausência turva de bolas de cristal, há um vazio imenso predisposto a ser enchido e esvaziado de novo para poder ser renovado de outro recheio. e há recheios sem fim. combinaçoes psicoativas de elementos que variam do anestésico ao pulsante, coisas que se esvaem pelo organismo ou que fluem e se deixam absorver com paciência. há de todo.
. há um mundo dentro desse mundo que é tão fundo, que é tão pouco.
enviada por charlye
16/06/2005 21:49
Algo da carne
Ele me dizia que as pessoas que sentam com os pés virados para dentro são as inseguras.
Eu nunca combati, pois me parecia verdade. Só depois pude perceber algo mais. As tais pessoas com esse mal-estar nos pés também podem ser outras coisas, além de puramente inseguras.
São as que sentam numa mesa e olham para o nada enquanto todos da sala de jantar nao desgrudam os olhos da televisão. São as que fumam o cigarro até o filtro, torcendo para que ele nunca acabe. São as que tem os olhos fixos em nada, que se perdem no detalhe do pé da cadeira do vizinho ao invés de se obrigarem a ver quem nao as interessa.
Porque sentar-se com os pés para dentro é estar um pouco fechado. Ou apreensivo, ou resignado. Também é estar um pouco out, porque ridículo. Pois todas as mulheres sexies sentam-se com as pernas cruzadas, todos os homens de negócios igualmente. E os que estao com as pernas escancaradas em geral estão a la vonté.
Os de perna para dentro estão nada disso.
E eu até já quis ser outra coisa, mas fui convocada a estar de pés para dentro. Para mim nunca foi uma questão de escolha, até o dia que reparei nesse quase ato-falho de meu corpo. Mas já era tarde, os pés estavam voltados como duas lanças que apontavam, saindo de mim para mim mesma. Eu, o umbigo dos meus atos. Porquer nada mais importava, nada mais importa. Nada me desconcerta tanto e me distrai tão substancialmente quanto a cultura dessas vagens que saem do meu cérebro e os consequentes feijoes do meu coração.
Coração? o caralho, coração não se deve usar como metáfora. Já foi demasiado lido e cantado para integrar o que eu pretendo que seja único.
Onde estao os sentimentos então? na goela?
Sim, na goela. Porque eu tenho passado fisicamente mal quando sofrida. O asco social vira tonteira e ver um homem que nao desejo me sorrir com ar de libido me leva a pedir para parar o carro e vomitar.
Vomitar na frente dele, para que veja onde me levou.
Porque mesmo que eu sente com os pés para dentro eu nao sou tola. Mesmo que use sapatilhas de colegial e que minhas meias brancas tranpareçam ternura, eu nao uso diademas. Nem obedeço ordens disfarçadas.
A topeira insiste em enxergar, abrir os olhos dentro da terra a lhe cobrir a vista. Eu sei, tudo é turvo, a poeira dessa terra que não te deixa olha-la nos olhos vem e tenta esmagar o que ainda é de carne. A terra só respeita o que é de ar, de fogo ou de água. Homens híbridos são pouca coisa para ela, topeiras quem dirá.
Experimenta olhar a terra na cara, pede pra ela te ver e fica assim, olho no olho com ela alguns instantes. Vai ver que quem desvia o rosto primeiro não é ela , é você. E que quanto mais você quer mirá-la, mais perto deve chegar e mais tragado por ela é. Ela mostra , com toda sua pacificidade de ser, sua eternidade de estar, que mesmo sem pensar porra nenhuma, ela pode mais do que você.
Ela te traga.
E de nada mais importam os meus pés para dentro...
enviada por charlye
11/06/2005 21:53
le message automatique
olha, eu não acho que o dinheiro compre nada além de bilhetes de avião, boas câmeras e bicicletas. comida e tal, mas isso também se pode conseguir de graça. a porra do dinheiro só serve mesmo para nada.
o amor está entre os assunto mais explorados nesse blog, nessa vida e nas camas por onde andei. de nada adianta, continuo sabendo que sei de menos.
definitivamente, depois da bossa nova não são mais necessários os filósofos.
a minha cara deve ser horrível quando estou séria. só isso pode explicar as perguntas idiotas daquelas pessoas.
me fazer de louca é minha melhor capacidade.
odeio que me perguntem se está tudo bem.
a alegria é um desconforto tanto maior quanto a infelicidade alheia se apresenta. e a tristeza é paralela à festas de formatura, aniversários e casamentos.
malandro é o gato, que já nasce de bigode.
eu só sou capaz de desejar por muito tempo algo ou alguém que me deixe na fissura.
quando eu for um legislador romano tomarei algumas medidas penais, tais como:
- empalamento aos que sorriem por educaçao.
- lobotomia aos que tecem mais de dois comentários por dia desnecessários (e mentirosos) como "legal" ou "que viagem" quando não tem mais o que dizer. "enlouqueceu" e seus derivados = como "enlo" = estao permitidos por motivos absolutamente pessoais.
- choques elétricos em pais de crianças mal-educadas. (na frente das crianças, evidentemente)
- choques de insulina para todo e qualquer indivíduo que comentar ou emitir qualquer tipo de espasmo sobre a vestimenta, o penteado ou as olheiras alheias.
PORQUE
ninguem tem que sorrir em público do que não sorriria se estivesse só (viva Clarice!).
ninguém deve dizer nada se não tem nada para dizer.
ninguém cria um filho mal-educado se não é igualmente mal-educado. (ou idiota, o que é pior. a pena deve ser de choque duplo nesse caso.)
não é da conta de ninguém as tuas olheiras, tua calça ridícula ou teu cabelo juruna. se os chitãos são aceitos porque é moda, qualquer coisa deve ser tolerada sem comentários de ninguem, sejam eles elogiosos ou não.
mais nada. só que:
si vouz savez entendre dans le silence vouz savez écrire.
si vous savez voir dans le noir vous savez dessiner.
y yo, ¿lo que sé?
enviada por charlye
06/06/2005 22:26
- um cigarro nao resolve - disse ele cruel.
- o que resolve então?
- resolve nada, nada resolve. tudo já tá resolvido.
- cigarro ajuda... passa as coisas, traga a merda.
- e te fode por dentro.
- fode mesmo, mas você também...pensa que não? você fode meu dentro muito mais do que qualquer nicotina...
- beleza então, fudida em dobro. pra que viver né?
- pra trabalhar, ganhar algum e comprar, comprar cigarros e sucos. um trago também. o café pelo menos ainda é de graça.
- seguro que você tem problemas... mais do que eu...
- o inferno contra-ataca. filme e tanto baby. para dormir na sala de estar...
- teu sarcasmo não me convence. tira essa máscara, não te demora.
- pra quê mesmo? pra você pisar nela quando estiver caída no chão?
- sabe que não seria de todo mal...?
- nada o é.. nada é de todo mal. Dogville..estou farta de Dogville.
- você realmente acha que todo mundo é igual a você. egocentrismo que não te permite ver que as pessoas são diferentes dessa tua miséria.
- fala mais pra eu ter mais vontade de te fazer mal.
- te peço uma coisa: sai da minha vida. parasita emocional..
- pedido aceito. mais alguma coisa?
- não diz mais que me ama, não quero mais ouvir isso.
- e quer um cigarro?
- quero, mas só se for Marlboro vermelho.
enviada por charlye
25/05/2005 21:16
Movimentos de um homem feio, porém atraente, e sua pequena
Entram pela porta já aberta e sentam-se. A menininha loira, cabelos cacheados, prostra-se com seu habitual semblante sério e olhos frios. Usa sapatos vermelhos, de salto. Quizá para combiná-los com os brincos de seu pai, dourados e grandes, rubi vermelho ao centro, uma imitaçao.
Enquanto isso, homens desocupados gastam o dinheiro que poderiam perder com putas em máquinas caça-níqueis. "Cada um goza com o que pode", disse o poeta.
- Um boquete, senhor?
- Que se foda, eu nao sei gozar assim.
Ele se vira à camareira e pede o de sempre para si e sua pequena. Ele sorri, os dentes parecem velhos, muito mais velhos do que sua cara e seu tênis negros modernos poderiam denunciar. Deve ser porque é francês.
E ninguém parece perceber a importância disso tudo... Os velhos que imploram por sacarina, as mulheres amantes de cafés frios, os jovens que os tomam com pressa...Nem, nem mesmo os niños que jogam mostardas nas paredes paracem atentar para o que se passa diante de suas caras de tacho. Só ele, com seus brincos femininos de cabaret barato e sua pequena órfa de sorrisos, sentada à sua frente, é que enxergam o que está voando sem ser visto.
Uma menininha triste ou somente imersa na profundidade do seu mundo Ian, de seu modo Ian, de seu amor Ian?
Ian, um nome de história tristíssima...
(- mas isso é nome de homem. disse o francês com perplexidade
- eu sei, em verdade nao me chamo assim, sao eles que me chamam...
- e eu me chamo Christine.
- como?
- nada, uma tontería, o qe eu disse foi uma tontería.. compreende?
- e como se chama entao?
- Ian.
- como o Ian Curtis?
- sim, exapto. muito triste essa história dele. sabe que Joy Division era minha banda favorita quando eu tinha quinze anos..?)
Ian com sua menina loira e poliglota.
Ian com seu pavor por pimentoes.
Ian com seu brinco de pressao.
Ian com suas chaves perdidas.
Eles se vao, antes que os demais possam discerní-los eles se vao; ela montada em suas costas, sempre séria, ele com seu ar de "me dê mais uma copa de vinho".
Deixa moedas, muitas moedas aos camareiros.
Nao as deu às putas, nem aos caça-níqueis. Será que ele sabe o que fazer com elas?
enviada por charlye
22/05/2005 00:33
round I
eu, que ando tendo comportamentos bipolares
eu nao sei se preciso de mim
ou se preciso de você
aquele mar de chuva invadiu minh`alma
sinto a dor e a discórdia
em cada passo dos humanos.
eu sinto em você o que há em mim
em nós dois o que nao há
e eu temo o que venha a ser.
nao sei se sei mais me ajudar
perdi meu rosto pela lama
e não há flores
nem talheres pro jantar
eu, coisa imunda
raio pouco de luz no chão
refletido, repetido na poça urgente
que apareceu em meu lugar.
eu quero o que já nao sei
e piso no que é meu
o que caiu no vão,
leio histórias de tempos que já foram...
vejo tudo
eu vejo depois!
como vejo os dois lados
como exprimo a imensidão!
(¿exprimo?)
eu silencio a multidão!
eu silencio!
(podrida idéia de quem habita como traça curiosa os andares inferiores.....)
atençao! os utensílios de metal estão a furar a carne.
round II(ou a volta inesperada a sentir-se estúpida e de bem)
sonreío, sonreío logo depois
largo e forte dessas voltas que se foram...
com o mar calmo eu até me dou a silenciar e
a aturar
aqueles a quem o vento já matou
me pongo em meio à multidão!
(eles nem imaginam, eu sou um igual)
trocamos vacinas
conspiramos mesmo olor
eu, que já nao sei quais os tempos que já foram!
já nao sei mais nada
sorrindo, cuspindo pra cima, suando com eles
com VOCÊS .
nao. com você nao.
e finalmente o nocaute
entao vacilo ao dizer o que digo
tudo, tudo o que digo
delírios me dão um cansaço...!
e tampouco quero descansar...
(eu canso)
pois o terno que me sorrí nao está ali e nao está em vão, fica bem longe, nao me dá a mão, quando eu sonho com ele, ele não responde nao contesta, ¿será que ele abre mão?
¿eu te dou o que é meu e você me devolve esse ardor? você amaldiçoa o cansaço e me poe a cansar algo mais?
te amo, amo meu, longe nome episcopal
brilho negro mais que intenso
essa voz que me conforta
o que me toca
e o que não me chega perto,
essa história toda de camisa vazia...
e terno.
eterno?
enviada por charlye
14/05/2005 20:50
eu gosto de gente que anda de terno
com gravata. porque eu nao sei, sentam diferente. movem-se diferente. arregassam as mangas com cuidado. se alimentam de forma um tanto curvada.
andam sabendo que estao de terno. e há muitos que nao usam terno e mesmo assim sabem com que andam, mas nao sao todos. a comparaçao nao serve.
eu sei que nao.
porque eu nao sei de nada, eu desisti de opinar, e mesmo assim sigo opinando. eu me convenço de que isso é uma putada, se propor de um lado... e no entanto que se foda.
que se esborrache a certeza mas que viva a dissoluçao. porque quando uma coisa se dissolve ela faz parte de outra, ela se incorpora.
coisa boa deve ser incorporar-se.
eu já tentei mais de uma vez num sonho mas é difícil de burro conseguir pilotar os sonhos eles nao tem alerta nem melodia, os sonhos sao descompassados. tentei incorporar de formas naturais e tóxicas e pode-se dizer que o resultado variou.
agora pretendo fazer uma película em nao película mostrando alguns efeitos. tomaremos chá.
tomaremos? se o encontramos. fungi.fungi.vasto fungi.
dissolver para ser como nescau.
ou toddy, eu nao gosto ne nescau.
um ode a todos os de terno amém
enviada por charlye
10/05/2005 19:36
foi eleito à categoria de homem do ano.
pelo segundo ano consecutivo, o melhor chocolate em eleiçao feita pela Revista Veja.
depositou suas dúvidas na esperança.
pode conter depósito de frutas secas.
caiu do último andar.
estava em cima da mesa e caiu no chao.
..............................
mundomundovastomundo
..............................
existem inspetores existem plantas existem olhos grandes existem janelas fechadas fontes nos parques ruas estreitas de olivas balelas coisas pra depois do jantar.
coisas fadadas ao assunto e ao silêncio à grossura e à dulçura ao espetáculo do ser nada do ser meio do ser qualquer coisa talvez menos isso certo e sofrendo e chorando por isso mas a preferir ainda assim a lágrima salgada ao esgoto doce.
há demasiada loucura no mundo.
e nem tanta assim capaz de acabar conosco.
- por que, fera imunda, nao te jogas duma vez ao poço?
- porque seria feio.
se você tivesse agora que escolher entre estar morto ou vivo, com qual você ficaria?
jogar-se lento ou rápido? esborrachar-se duma vez ou denegrir-se aos poucos?
viste em que merda te meteste?
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e quem te salvará, irmao, desse mal irrefreável?
ele mesmo.
umbeijoumamor
adádivaqueintentarqueinventar
enviada por charlye
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